Durante décadas, um vendedor de gomas percorreu escolas de todo o país na sua bicicleta, sempre carregada de guloseimas, discos gastos e histórias improváveis. Era conhecido em todo o lado: o som da buzina tinha o mesmo poder que a campainha da escola. Mas, mais do entupir as veias de várias gerações, o que verdadeiramente o apaixonava era dar a conhecer às crianças o encanto dos cantautores de Abril.
Após a morte do pai, Rita e Manel regressam à casa onde cresceram para enfrentar aquilo que mais custa arrumar: as memórias.
No centro daquela casa está a tal bicicleta carregadinha de gomas e de discos. Há também um gira-discos, bolachas americanas, fotografias e discos. Os dois irmãos revisitam a infância e descobrem que o pai, um simples vendedor de gomas, lhes deixou muito mais do que objetos. Deixou-lhes canções, histórias, perguntas, ainda mais perguntas, liberdade, sentido crítico e uma forma de olhar e enfrentar o mundo.
Enquanto recordam as pequenas coisas do quotidiano, as brincadeiras, as discussões, os conselhos, os afetos, as músicas de intervenção de José Afonso, Rita Olivaes, Sérgio Godinho, Ermelinda Duarte, José Mário Branco, Adriano Correia de Oliveira e outros cantautores tornam-se uma espécie de mapa da memória familiar e de um país que eles não viveram, mas que aprenderam a conhecer através das histórias do pai.
Ao encontrarem uma caixa, Rita e Manel são conduzidos por uma série de pistas e mensagens que os obrigam a continuar uma conversa que a morte interrompeu. Mais do que descobrir o que fazer com os seus pertences, os irmãos são confrontados com uma pergunta essencial: o que fazer com tudo aquilo que herdamos e que não cabe dentro de uma caixa?
Entre o humor e a saudade, a peça fala de luto, memória, família e liberdade, mas também daquilo que permanece quando alguém parte. Porque há coisas que se arrumam, coisas que se guardam e outras que continuam a viver em nós.
Ficha Artística e Técnica
Ideia, Texto e Encenação João de Brito
Interpretação Beatriz Gonçalves e José Leite
Cenografia Wilson M. Galvão
Execução de Cenografia Carpintauto
Desenho de Luz Gabriel Vicente
Gestão de projecto Tiago da Câmara Pereira
Apoio à Gestão Alice Martins
Direção de Produção Rita Rosado
Produção Executiva Giulia Dal Piaz
Design Raquel Fradique
Comunicação Joana Botelho Enes
Produção LAMA Teatro
Coprodução Teatro do Eléctrico
Apoio Institucional Município de Faro
Apoio República Portuguesa – Cultura, Desporto e Juventude DGARTES – Direção – Geral das Artes
O Teatro do Eléctrico é uma estrutura financiada por República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes, Cineteatro Louletano / CM Loulé e CM Lisboa.
M6 recomendado para M10 | 45 MIN
Apresentações
ESTREIA
2026 | 16 a 18 DE OUT
Faro, LAMA Black Box
SEX, 16 OUT às 19H
SÁB, 17 OUT às 18H30
DOM, 18 OUT às 11H